segunda-feira, 29 de maio de 2017

Depressão pós-parto: precisamos falar sobre isso!

Mesmo depois de muito se discutir e problematizar acerca da conhecida depressão pós-parto, ainda lidamos com esse episódio com certo receio e, algumas vezes, até preconceito. O universo da maternidade tem se revestido de uma roupagem romântica, que não é capaz de abarcar todas as suas facetas. Ser mãe tem seu lado belíssimo, mas vem acompanhado de grandes dificuldades, principalmente pelo enfrentamento das novidades, mudanças na rotina, responsabilidades. E muitas mulheres se sentem inferiores por terem sentimentos diferentes daqueles "esperados" socialmente. Para estimular a manifestação de outras mães, e até mesmo conseguir lidar com os próprios sentimentos, algumas mulheres tem usado suas redes sociais para descrever suas vivências acerca da depressão pós-parto. Compartilharemos aqui um desses relatos, esperando que venha como um estímulo para que outras mães possam também começar a falar sobre isso e procurar ajuda quando for necessário.

Leiam  o depoimento da americana Kathy DiVincenzo, mãe de uma menina e de um bebê recém-nascido. Diagnosticada com depressão pós-parto, ansiedade e transtorno obssessivo compulsivo (TOC), que decidiu revelar isso ao mundo por meio de um post no Facebook:



“É grande a chance de você estar se sentindo muito desconfortável agora (confie em mim, eu também estou). Maio foi declarado o mês de consciência da depressão pós-parto. Eu, que fui diagnosticada com depressão pós-parto, ansiedade e TOC, sinto que é hora de revelar o que isso realmente significa – e não apenas o que é mostrado no Facebook.

A verdade é que ambas as imagens representam a minha vida dependendo do dia. Mas eu só comprtilharia um dessas realidades – e esse é o problema. A única coisa mais cansativa do que ter a depressão é fingir diariamente que eu não a tenho. Eu trabalho dobrado para esconder esta realidade de você porque tenho medo de te deixar desconfortável. Tenho medo que você pense que eu sou fraca, louca, uma mãe terrível, ou um milhão de coisas que minha mente me convence. E sei que não estou sozinha nesses pensamentos.

Precisamos parar de achar que o pós-parto é sempre eufórico, porque não é assim para 1 em cada 7 mulheres. Precisamos questionar os novos pais, de forma mais profunda, sobre como eles realmente se sentem, e não paenas perguntar: "e aí, como você está?" Essa pergunta gera uma resposta automática: "está tudo ótimo!" Precisamos aprender os sinais, os sintomas, os fatores de risco e planos de apoio para o pós-parto.

Precisamos quebrar o estigma e quebrar o silêncio compartilhando nossas histórias e deixando os outros saberem que não estão sozinhos. Se você teve um transtorno pós-parto, por favor, compartilhe sua história. Vamos mostrar aos outros que eles não têm que sofrer em silêncio. No caso de ninguém lhe ter dito, você está fazendo um trabalho incrível. Você é amada e você é digna. Você não está sozinha.”
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário