quarta-feira, 30 de março de 2016

Formação complementar para professores pelo MEC

O Criança em Questão tem o prazer de divulgar que o Ministério da Educação  anunciou a abertura de 105 mil vagas em cursos de formação complementar para professores. Serão oferecidas 20 mil vagas em universidades federais, 4 mil em institutos federais e 81 mil através da Universidade Aberta do Brasil.
As inscrições serão abertas dia 5 de abril na Plataforma Freire:http://freire.capes.gov.br/
Professores, não percam essa excelente oportunidade!

segunda-feira, 28 de março de 2016

Hoje eu vivi e meus filhos também!





“Hoje eu acordei com som de pés se arrastando.
Foi a minha passarinha madruguenta nos pijamas da irmã mais velha que raspava pelo chão.
Eu queria puxar as cobertas para cima da minha cabeça e fingir que estava dormindo.
Mas, em vez disso eu levantei e fiz torradas que ela disse que estavam divinas.
Ela me beijou com os lábios de manteiga.
Acordar cedo não foi minha primeira resposta. Mas eu acordei.
Hoje eu vivi.

Hoje ela perdeu seus sapatos pela 37º vez em duas semanas.
Isso foi logo antes da gente sair.
Eu queria gritar, para repreender, para jogar minhas mãos no ar.
Mas ao invés disso eu a abracei. Minha menina descalça.
Juntas nós encontramos os sapatos molhados de sereno no quintal e ela sussurou: “Desculpa, eu sou esquecida, mãe.”
Ser calma não foi minha primeira resposta. Mas eu fiz.
Hoje eu vivi.

Hoje os passarinhos cantavam animados no lado da porta aberta.
Esse falatório alegre parecia acentuar os prazos, as roupas que eu tinha pra lavar, a bagunça amontoada em volta de mim.
Eu queria bater a porta e silenciar a tentação: havia tanta coisa para fazer.
Mas ao invés disso eu coloquei meu tênis de corrida e meu chapéu favorito.
A cada passo, eu chegava mais perto do que importa e mais longe do que não importa.
Ser leve não foi minha primeira reação. Mas eu fiz.
Hoje eu vivi.

Hoje eu estava na frente do espelho me medindo. Me achando grande demais. Me observando.
Era evidente que o estresse e a falta de sono haviam deixado suas marcas.
Eu queria dissecar cada ruga, arrancar cada camada de pele mole.
Mas ao invés disso eu desviei e disse: “Hoje não. Só hoje não.”
Me amar não foi minha primeira reação. Mas eu fiz isso.
Hoje eu vivi.

Hoje eu arrumei um jantar simples e coloquei no prato.
Tinha uma cara patética e desagradável.
Eu queria questionar meu merecimento baseado nas minhas habilidades culinárias.
Mas em invés disso eu gritei, “Vamos comer fora na varanda! Tudo parece mais gostoso lá fora.”
Me oferecer graça não foi minha primeira reação. Mas eu fiz.
Hoje eu vivi.

Hoje eu estava em uma missão para colocar minha filha na cama o mais rápido possível.
Tinha sido um dia cansativo e eu só queria ficar sozinha.
Ela me perguntou se ela podia escutar a batida do meu coração.
Relutantemente, eu deitei ao lado dela e ela colocou a cabeça no meu peito.
“Nós temos o mesmo batimento”, ela disse.
“Como você sabe?” Eu perguntei esperando alguma raciocínio de criança, mas ao invés disso sua resposta pungente me deixou de joelhos.

“Porque você é minha mãe.”

E lá estava ela. Minha confirmação.
Para optar por ficar quando eu quero recuar.
Para escolher perdoar quando eu quero condenar.
Para escolher amar eu quando quero atacar.
Para escolher ter esperança quando eu quero duvidar.
Para escolher ficar quando eu quero cair.

Hoje eu vivi.
Não foi minha primeira resposta.
Mas eu compartilho a mesma pulsação com duas almas preciosas.
E isso é o suficiente para me fazer passar o dia (superar o dia).
Eu vou escolher viver de novo amanhã.”



Fonte: http://www.handsfreemama.com/2014/05/09/today-i-lived-and-you-did-too/
 Tradução: http://antesqueelescrescam.com/2016/01/13/hoje-eu-vivi/

sexta-feira, 25 de março de 2016

Faça ovos de Páscoa e bombons com seus filhos

Fazer bonito nesta Páscoa não significará, necessariamente, uma corrida ao supermercado ou, ainda, uma pesquisa de preços sem fim. A cada dia surgem novos ovos de chocolates, maiores, mais enfeitados, mais atrativos e mais caros. No bombardeamento de propagandas e na onda do consumo parece quase inevitável não comprar alguns. Entretanto, ao refletimos o sentido de cada ação podemos nos questionar o que realmente seria melhor para nossos pequenos? Já pensou em um momento descontraído na cozinha em que todos pudessem fazer ovos deliciosos, do modo como gostam, para depois saborearem todos juntos?
Com os ingredientes certos e um pouquinho de disposição, é possível agradar a todos de forma personalizada – e com muita economia.
Com uma barra de um quilo de chocolate dá para produzir de quatro a cinco ovos de páscoa do tamanho número 15 (entre 170 g e 240 g)

E com as formas de silicone de três camadas, fica fácil atingir o nível ideal de preenchimento para fazer o ovo na espessura padrão. 

forma de silicone poderá ser reaproveitada por muitos anos – desde que você tenha alguns cuidados, como lavar e secar bem após o uso, não forçar para retirar o chocolate e não deixar cair no chão. 

Veja como é fácil fazer seu ovo de Páscoa:

Para fazer um ovo grande, você vai precisar de:
  • 1 quilo de chocolate ao leite ou meio amargo.
  • 1 forma para ovo de chocolate.
  • Vasilha de vidro para levar o chocolate ao micro-ondas.
  • Espátula.
  • Bombons ou brinquedos para rechear.
  • Papel Alumínio.
  • Papel Celofane.
  • Fitas coloridas.

Modo de preparo: 
  • Quebre o chocolate em pedaços pequenos e coloque uma vasilha de vidro. 
  • Derreta o chocolate no micro-ondas em intervalos de 20/30 segundos, mexendo bem com uma espátula.
  • Após derreter o chocolate, mexa para que ele apresente brilho e esfrie um pouco. 
  • Quando o chocolate estiver em temperatura ambiente despeje a quantidade necessária na forma.
  • Leve a forma à geladeira por 10 minutos.
  • Apare o excesso de chocolate das bordas das formas. Desenforme os ovos de chocolate colocando as formas de cabeça para baixo sobre uma superfície limpa e lisa. Faça uma leve pressão com as mãos na parte superior da forma até o chocolate sair todo sozinho
  • Apare as bordas, se necessário, para que as duas metades possam se fechar para formar um ovo.
  • Você pode rechear com bombons de sua preferência, ou brinquedos para as crianças. Depois, é só embalar com o papel alumínio e o papel celofane e fechar com as fitas.
Simples, econômico, criativo, divertivo e delicioso!
Feliz Páscoa

Texto adaptado por Stéfany Bruna
Fonte: Proteste

quarta-feira, 23 de março de 2016

Crise econômica e política no Brasil: momento de ensinar tolerância ao seu filho

Vivemos tempos difíceis. A crise política e financeira tomou proporções assustadoras, desmoronando as esperanças e os planos dos brasileiros. E em meio a tantas incertezas, a hostilidade parece prosperar, alimentada pelos ânimos exaltados e pelas divergências ideológicas que cavam um abismo entre dois lados rivais. Como se cada história tivesse apenas dois lados e todos fossem obrigados a assumir uma posição. Como se ser contra um partido, fosse ser automaticamente a favor de outro. Como se houvesse apenas o lado bom e o ruim. Como se pessoas que pensam diferente tenham de ser inimigas. E no meio dessa onda ascendente de intolerância e radicalismo, até as crianças se tornam vítimas, ou pior: protagonistas de episódios de agressão e preconceito.
Foi o que aconteceu com o filho de 9 anos da pedagoga Janaina Maudonnet. Ao buscar o menino na escola de inglês, ele entrou no carro muito nervoso e começou a chorar. Quando conseguiu se acalmar um pouco, contou que havia sido ameaçado por três colegas. O motivo? A camisa vermelha que usava. “Os meninos disseram ao meu filho: ‘você é petista, devia morrer’, só porque ele estava com uma camiseta da Suíça, que é vermelha e tem uma cruz branca. Eu fiquei muito mal. Hoje, por causa da cor da roupa, já se supõe que a pessoa é de direita ou de esquerda”, conta. O filho de Tina, amiga de Janaina, vivenciou uma situação parecida. No dia em que todas as crianças haviam combinado de ir de preto à escola, seu filho mais novo, 8 anos, preferiu usar a roupa de sempre: o uniforme. Foi o bastante para que duas crianças se dirigissem a ele de maneira ofensiva, gritando e falando palavrões. Por conta disso, Tina tomou uma decisão: “Não tenho deixado meus filhos usarem nenhuma camiseta vermelha, nem de time, nem de nada. Não quero que eles tenham a chance de serem agredidos”, conta.
POR QUE AS CRIANÇAS ESTÃO AGINDO ASSIM?
Para a psicóloga e psicoterapeuta Andreia Calçada, a explicação é que as crianças simplesmente reproduzem os comportamentos que presenciam em casa. “Aquelas que fazem esse tipo de coisa, provavelmente têm pais que são intolerantes não só na política, mas em muitas outras áreas”, explica. E esse comportamento tende a se manifestar em relação a pessoas com religiões, orientações sexuais, raças e até times de futebol diferentes.
Por isso, é preciso ficar atento à maneira como nos posicionamos nas mais diversas situações. É natural que as crianças adotem, a princípio, a mesma opinião dos pais, que queiram ser do “mesmo time”. É só por volta dos 9 ou 10 anos, quando elas adquirem uma capacidade melhor de compreender conceitos abstratos e começam a romper maniqueísmos, que se dão conta da complexidade das questões políticas. Mas é só com o início da adolescência, por volta dos 11 ou 12 anos, que elas começam a mergulhar na questão das hipóteses e que começam a construir suas próprias posições ideológicas, a partir não apenas dos pais, mas do grupo, do que leem, do que aprendem.
Assim, se você decidiu que vai levar o seu filho a uma manifestação, explique com clareza e serenidade o que está acontecendo: "Eu não acho ruim a criança ir à passeata, porque ela tem que aprender a se manifestar politicamente, mas os pais precisam deixar de lado um discurso  acalorado e irracional, que, muitas vezes, tomam as discussões políticas”, explica a psicóloga.
COMO CONVERSAR COM OS FILHOS?
Na casa da especialista em marketing digital Anamaria Mendes Jannuzzi, quando o filho Lucas, 8, disse que os colegas fizeram uma musiquinha zombando da presidente e chamando-a de feia,  a resposta dela foi categórica: “Disse ao meu filho que a gente não faz esse tipo de coisa jamais. Conversamos até sobre a possibilidade de tamanho desrespeito ocorrer com um presidente homem e que, se a gente quer ensinar respeito às mulheres, tem de começar pela presidente”.  O menino também fez uma série de questionamentos sobre o que estava acontecendo. Perguntou se quem está roubando ia ser preso, o que fazem os políticos e garantiu que um dia seria presidente, mas sem ser corrupto. “A gente está vivendo em um lugar muito complicado porque você tenta ensinar o que é certo e, quando as crianças olham ao redor, veem que tem um monte de coisa errada. Elas percebem isso”, comenta.
Para o psicoterapeuta Luciano Passianotto, mais do que explicar o que é certo e o que é errado,  e que quem age de forma incorreta deve ser punido, os pais devem abrir espaço para a manifestação de ideias e posições divergentes. “Vivemos um momento em que, quando alguém tem uma opinião contrária, a comunicação já é cortada. Não se deixa a pessoa falar. O exercício dos pais é demonstrar para as crianças que é possível , sim, ouvir o ponto de vista do outro, sem necessariamente concordar com ele. Ao escutar uma opinião contrária, de forma educada e respeitosa, a mensagem que está sendo passada às crianças é que não é preciso brigar só porque existem pessoas que pensam de outra maneira."
O PAPEL DA ESCOLA

Depois do nervosismo enfrentado na escola de inglês, o filho de Janaina encontrou acolhimento e compreensão em seu colégio. “Ele voltou muito empoderado depois de compartilhar o que aconteceu no curso de inglês com seus colegas da escola, durante uma aula de artes. Isso foi o que ajudou", contou a mãe.  A escola até distribuiu um material para os pais, reforçando que o processo pedagógico deve ser reformulado para que sustente os seus valores e que, apesar da instituição ter posições privadas, o que deve prevalecer dentro daquele ambiente é o coletivo. Janaina aprovou a iniciativa.
No Colégio Rio Branco, em São Paulo, não houve nenhum episódio de discussão sobre política ou de agressão entre as crianças, que estão trazendo à tona suas dúvidas sobre o momento atual de forma tranquila. “O colégio trabalha de uma forma natural com os alunos a questão da democracia. Neste processo, enfatizamos a cidadania, que é a importância do papel de cada um na sociedade”, explica a orientadora educacional do Ensino Fundamental, Ana Claudia Crivellaro.  Alunos mais novos trabalham isso por meio de brincadeiras, enquanto os mais velhos participam de assembleias, junto com os professores, onde são discutidas questões de cunho moral, que não necessariamente têm a ver com política. “Falamos do voto secreto, por exemplo, mas não de partido”, comenta a educadora. A escola também aproveitou o momento para trabalhar questões relacionadas ao consumo, uma vez que o orçamento das famílias está mais apertado. "Organizamos um brechó, em que os alunos doaram agasalhos, uniformes e livros dos anos anteriores. Na hora de levar para casa alguma coisa, era preciso deixar um quilo de arroz. Não é só educação financeira; é solidariedade, é ensinar a criança a ser cidadão", explica.
Para a psicóloga Andreia, independente da posição política da família, é válido que tanto a escola como os pais ressaltem o lado positivo de toda essa crise junto às crianças. “Enfatize que é importante participar da política, se envolver e que todo esse movimento, mesmo com opiniões divergentes, busca por mudanças e melhorias para o país”, completa Andreia. Afinal, ninguém duvida que, independente do caminho que cada pessoa creia ser o melhor, todos queremos deixar um mundo mais justo para os nossos filhos.

5 COISAS PARA PENSAR E FICAR ATENTO NESSE MOMENTO
Cuidado com as palavras: uma coisa é criticar um governante ou político qualquer, deixando claro o seu descontentamento quanto à sua atuação. Outra é xingar e ridicularizar.  Principalmente na frente das crianças. Por isso, em vez de dizer que esse ou aquele é um "ladrão, sem vergonha", melhor falar que essa pessoa não se comportou de forma honesta, que não é confiável, que não agiu da maneira como o povo esperava.
Deixe claro o seu posicionamento sem desmerecer outros: você pode explicar para o seu filho (levando em conta o item anterior) que você prefere um político ou um partido a outro em detrimento do que você acredita. Mas sempre enfatize: "Essa é minha opinião. Tem pessoas que pensam diferente". Uma coisa é justificar a sua escolha, outra, é mostrá-la a seu filho como se isso fosse uma verdade absoluta.
Acima de tudo, o respeito: uma coisa é você ter uma posição política e defendê-la. Outra é briga por poder, agressão, ofensas de cunho pessoal. Discutir sobre política sem elevar a voz, tratando seu interlocutor com educação, ouvindo-o sem interromper, é pré-requisito para um diálogo civilizado. Uma vez que, sem diálogo, não há democracia, é importante que seu filho aprenda a conversar e respeite a opinião alheia desde cedo.
- Sempre explique o que está acontecendo: de forma clara e simples, de acordo com a idade da criança. Se o seu filho perguntar o que significa o barulho de panelas ou tanta gente protestando nas ruas, diga que as pessoas estão manifestando sua opinião, seu descontentamento, que elas discordam de uma série de acontecimentos atuais. Afinal, poder se manifestar, de forma respeitosa, é um direito de todos.
Crie um cidadão: é preciso ensinar ao seu filho que a responsabilidade por um mundo melhor também é dele. E isso vai muito além da política. Um cidadão se cria no dia a dia: obedecendo às regras de trânsito e respeitando seu lugar na fila, por exemplo.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Investir na primeira infância é investir em uma sociedade melhor!!

"Os primeiros anos de vida são a estrutura de uma casa. E será sobre ela que toda a casa será construída depois". Essa é uma das principais mensagens do documentário de longa-metragem “O Começo da Vida”,uma produção Maria Farinha Filmes através de uma parceria da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Alana e Fundação Bernard van Leer.
O filme ressalta, dentro de um contexto emocionante, a relevância  dos primeiros anos de vida de uma criança no seu desenvolvimento e aprendizagem, tanto na infância, quanto em sua vida adulta.

Confira o trailer oficial, e emocione-se! 
#CEQ #desenvolvimentoinfantil  #porummundomelhor


sexta-feira, 18 de março de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

Educação que transforma!

Não se trata de ignorar todo sistema educacional e reduzir o processo de ensino-aprendizagem na ação isolada de professores e alunos. Todavia, talvez tem sido urgente a necessidade de educadores que se impliquem neste processo, que acreditam no que fazem e, assim, transmitem aos alunos a possibilidade de uma educação que transforma!


segunda-feira, 14 de março de 2016

A vida na escola e a escola na vida! Uma proposta de um professor na Italia, no mínimo, instigante!


 Cesare Catà, professor italiano, leciona na escola "Polo Scolastico Paritario Don Bosco" numa cidade costeira da Itália. No verão passado, ele orientou os seus alunos a cumprirem 15 tarefas que valeriam 15 pontos.
As tarefas ganharam grande repercussão nas redes sociais e o professor, além de ganhar o coração de seus alunos, conquistou-nos a todos. Todas as tarefas são simples, o que nos faz recordar que é na simplicidade que reside a maior sabedoria. E nos faz repensar qual é o papel da escola frente a tantas concepções, metodologias, propostas e interesses divergentes.




 Foi a melhor tarefa de verão que eles poderiam ter realizado.
Segue a lista:
“1 – Passeie pela manhã ao longo da costa, em total solidão, olhe para o brilho do sol sobre a água e pense nas coisas que fazem você feliz.
2 – Procure usar palavras novas que aprendeu neste ano. Quando mais puder usá-las, mais interessante poderá pensar e, quanto mais pensamentos tiver, mais livre será.
3 – Leia! Tudo o que puder. Mas não por obrigação. Leia porque o verão inspira sonhos e aventuras e a leitura é como voar. Leia porque é a melhor forma que existe para se rebelar (me procure, se precisar de conselhos sobre o que exatamente ler).
4 – Evite tudo o que provoque negatividade e lhe gere uma sensação de vazio (tanto coisas, como situações e/ou pessoas). Busque inspiração e amigos que lhe enriqueçam e entendam e que gostem de você pelo que você é.
5 – Se sente tristeza e medo, não se preocupe, o verão, como qualquer outra coisa maravilhosa da vida, pode levar a alma a se confundir. Leve sempre com você um diário e descreva como se sente (no outono, se quiser, podemos lê-lo juntos).
6 – Dance e não pare. Em todas as partes, em qualquer lugar: numa pista de dança, em seu quarto sozinho. O verão é um baile e é um desperdício não participar dele.
7 – Ao menos um vez, veja o nascer do sol e desfrute. Permaneça em silêncio e respire profundamente. Feche os olhos e sinta gratidão.
8 – Pratique muito esporte.
9 – Se está com alguém que gosta, diga isso a ela ou a ele da maneira mais bela e convincente possível. Não tenha medo de ser mal interpretado. Se não acontecer nada, então não é seu destino, mas se vocês se entenderem então o verão lhe pertencerá e será uma época de ouro (Se falhar, retorne ao ponto 8).
10 – Leia as anotações de nossas aulas, compare tudo o que lemos com o que está acontecendo em sua vida.
11 – Seja tão feliz como a luz do sol, livre e indomável como o mar.
12 – Por favor, não utilize palavras inadequadas. Seja cortês e amável.
13 – Assista a bons filmes com um diálogo emocional profundo (se puder, em Inglês, já que ajuda a melhorar o idioma e a desenvolver a capacidade de sentir e sonhar). Imagine que o filme não termina para você, mesmo aparecendo os créditos no final, viva-o uma vez mais e o inclua em sua experiência deste verão.
14 – O verão é magia. A luz do sol brilhante das manhãs e as tardes cálidas do verão é um clima ideal para sonhar com o que pode e deve ser a vida. Faça tudo o que depende de você para nunca desistir do caminho até os seus sonhos.
15 – Seja bom.”

sexta-feira, 11 de março de 2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

7 perguntas para o pediatra Daniel Becker: "Seu filho deve aprender que não é o centro do mundo"

O pediatra Daniel Becker é o criador da Pediatria Integral: um conceito de que a criança precisa ser vista de forma mais abrangente. Não é apenas tratar e prevenir doenças, mas cuidar do bem estar emocional, social e até espiritual da criança e da família. São 20 anos de experiência de consultório no Rio de Janeiro. Formado pela UFRJ, ele é especialista em Homeopatia e mestre em Saúde Pública. Médico do Instituto de Pediatria da UFRJ, ele foi pediatra da Médicos sem Fronteira em campos de refugiados na Ásia e fundador de uma ONG, o CEDAPS, Centro de Promoção da Saúde, com atuação em comunidades carentes. 
Becker é um apaixonado pela profissão e conta que ao olhar sua trajetória se diz satisfeito pelas escolhas que fez. Ele é separado, pai de dois filhos, um menino de 17 anos, roqueiro, e uma menina de 20 anos, psicóloga. “Eles são muito bacanas. Tenho muito orgulho deles”, diz o médico. Com tantos compromissos, entre palestras e consultas, ele abriu gentilmente um espaço na agenda para responder às minhas perguntas.
1.Na sua palestra no Ted, você diz que um dos pecados contra a infância é a "entronização". O que isso significa? Estamos colocando nossas crianças em um trono?
A gente vive em tempos de hipervalorização da infância tanto pela mídia quanto pretensamente pela família e pela sociedade. Mas na verdade a infância é desvalorizada naquilo que ela tem de real, na sua essência. Um dos fatores que explica esse paradoxo é a falta de intimidade e de convivência entre pais e filhos por causa das questões da vida moderna. E quando estão juntos, os pais não conhecem essas crianças, não sabem lidar com elas. Estão estressados com os seus trabalhos, estão viciados nos seus telefones e não querem também se submeter à desaprovação social de uma criança que chora ou se comporta mal. Acaba que essa criança não tem direito de se manifestar de forma negativa, que faz parte do comportamento infantil. Ela não pode fazer uma birra, dizer “não”, chorar, explorar seus limites de atuação no mundo. Como os pais não sabem lidar com essas situações, a criança acaba tendo todos os seus desejos realizados, não lhe colocam limites, não lhe dizem que ela tem que lidar com a frustração. A gente quer calar a qualquer custo o mal estar. Então para parar com o chilique, a gente acaba cedendo. Ao invés de aprender as regras de convivência, a criança passa a ser uma rainha que dita as normas, os programas, os horários. 
2.E o pecado que você chama de “superproteção da infância”?
A superproteção é impedir que as crianças tenham suas próprias experiências. A gente está presente o tempo todo, aquilo que os americanos chamam de “helicopter parent”, pais que ficam flutuando em torno das crianças fazendo com que elas não tenham a experiência do mundo, justamente porque os pais se interpõem entre o mundo e a criança. Elas ficam impedidas de lidar com o risco, com a aventura, com as relações interpessoais, com os problemas da escola, com a dor, com os machucados. Se a criança tem um problema com uma outra criança, os pais se interpõem para resolver a questão, no playground não deixam ela se arriscar a subir mais alto no trepa-trepa. É claro que ninguém quer que o filho quebre um dedo ou receba um ponto, mas são experiências da infância. A criança tem que ter a experiência do risco, do machucadinho e da frustração. Outra coisa muito grave é que para evitar os perigos do mundo, as famílias ficam muito em casa, se expõem pouco à natureza, as praças e as praias. Os riscos desses lugares existem e temos que lidar com eles, pois fazem parte da vida.
3.Qual o prejuízo real para crianças que não sabem ouvir a palavra “não”? O que vai ser (ou já está sendo) dessa geração sem limites? 
Eu já vi criança dormindo às duas da manhã, já vi criança de dois anos que comanda o que tem na geladeira e no armário da despensa. Outras que determinam o programa da família nos fins de semana, se elas não querem sair, ninguém sai. Pais que deixam a criança de 3 anos ficar horas na televisão porque não sabem desligar o aparelho e deixar ela ficar frustrada. Criança que come o biscoito ao invés da comida, que ganha o presente depois de ter se jogado no chão do shopping. Isso tudo causa um prejuízo enorme, tanto na qualidade de vida dessa família, quanto na psiquê, na emocionalidade dessa criança. Ela precisa saber que a sua vida tem limites, que a sua influencia tem limites, que o mundo não gira em função do seu umbigo. Muitos meninos e meninas dessa geração vão levar isso para a vida adulta e não só terão dificuldades de convívio como vão quebrar a cara nos seus ambientes de trabalho e em relacionamentos interpessoais. Porque nem sempre a vida vai acolher esse tipo de onipotência que é resultado de uma educação cheia de falhas nesse sentido. 
4.A culpa que os pais carregam é a grande vilã nessa história?
Eu tenho muito medo da gente restringir a questão à responsabilidade da família. A família é responsável sim, tem que saber lidar com a frustração, o choro, as emoções negativas da criança, tem que saber mostrar a ela que esses momentos passam, que estas situações vão deixar ensinamentos importantes. Os pais sentem culpa porque não estão presentes na vida dela e quando estão juntos querem dar coisas demais. A gente briga com essa história de dar presente, ao invés de dar presença. Muitas vezes o tal “deficit de atenção” é deficit de atenção de pai e mãe que a criança sofre. Mas a gente tem que justamente tomar muito cuidado para não piorar isso dizendo que os pais são os culpados porque o que leva a tudo isso é a vida moderna, é a perda de referências, é a falta de capacidade de aprender com as gerações anteriores, com a experiência dos outros, é a invasão do tempo de trabalho e do tempo de entretenimento no tempo em família, é o vício do smartphones. Tudo isso tem que ser pesado na compreensão desse fenômeno da entronização e da superproteção da infância, a gente não pode restringir a responsabilidade e nem as soluções apenas a nível familiar. 
5.A justificativa sincera de muitos pais é de que eles fazem o melhor que podem, trabalham o dia todo, batalham para dar conforto aos filhos, chegam exaustos em casa. É até mesmo controverso: as pessoas querem ter filhos mas não conseguem ter tempo de conviver com eles. Como resolver este impasse? 
As pessoas querem ter filhos e imaginam que tudo vai ser um mar de rosas. Elas têm que ter consciência de que vão ter filhos neste mundo em que vivem: nas grandes cidades, muitas vezes com a falta de presença de familiares, com trabalhos que demandam excessivamente, com transporte que fazem elas chegarem tarde em casa, isso tudo tem que ser incorporado por um casal quando eles planejam filhos. Planejar ter filho é ver o futuro. Claro que a maioria das pessoas não faz isso, a gente quer ter filho, a gente quer reproduzir a nossa própria genética, isso faz parte de um mandato biológico. Mas hoje em dia a gente tem que pensar nas condições de vida que essa criança vai nascer e como nós vamos dedicar o nosso tempo a ela. Isso faz parte da responsabilidade de um casal. É preciso planejar a carreira, o local de trabalho para que a convivência familiar seja maximizada, para que a criança cresça com a presença dos pais, dos avós, tios, primos. Escolher um lugar para morar com natureza por perto. De novo a gente não pode reduzir a solução deste impasse a nível da família, a gente tem que tentar pensar na sociedade como um todo. A sociedade brasileira é insegura, desigual e cheia de problemas e isso influencia nas condições de vida das famílias.
6.O video americano “Childhood is not a mental disorder” já deu o que falar sobre o uso exagerado de remédios em crianças para controlar “doenças do comportamento”? Você concorda que é preciso ter muito cuidado com os diagnósticos?
Eu gosto muito desse vídeo e ele traz mesmo uma dimensão terrível do que a sociedade está fazendo com a infância. O mercado pressiona a família por soluções fáceis, todo mundo quer resolver os problemas imediatamente. A energia da criança está sendo reprimida. É claro que o comportamento dela vai ser muito afetado por todas as questões que eu já citei, podendo se rebelar, ter insônia, desatenção, brigar na escola, ser impulsiva. Em vez da gente repensar como oferecer a estas crianças uma infância melhor, mais saudável, mais verdadeira, o que o mercado propõe é que elas sejam medicalizadas. A indústria de diagnósticos e de remédios é monstruosa e crescente. No Brasil, a Ritalina é o principal remédio usado para criança. Em 10 anos a venda de Ritalina subiu de 75 mil caixas para 2 milhões de caixas. O Ministério da Saúde agora está estabelecendo uma regulação para a venda do remédio. A gente não pode negar que essas doenças existem, o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma doença grave, mas ela atinge um pequeno número de crianças. A grande maioria desses diagnósticos está sendo feita de forma arbitrária, sem critério suficiente, eu diria até perversa. É preciso mudar o comportamento da família ou ir para psicoterapia, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, que são benéficas para este tipo de problemas e poderiam ser tentadas antes e de forma mais eficaz. Porque o remédio vai ter efeitos colaterais, vai rotular esta criança, como o video expõe muito bem, vai colocar na cabecinha dela que ela é apenas um transtorno e não uma criança que tem potencialidades múltiplas e possibilidades infinitas para o seu futuro. Tem a historia de uma mãe que levou a filha ao pediatra porque achava que ela tinha problemas e o pediatra deixou a criança com uma música e saiu da sala por alguns minutos com a mãe. Eles ficaram observando a criança do lado de fora, enquanto ela dançava o tempo todo. E o pediatra disse: “Sua filha não tem um problema, sua filha é uma bailarina, leve-a para uma aula de ballet e vão ser felizes”. Gillian Barbara Pyrke, a menina da historia, se tornou uma famosa coreógrafa da Broadway. Quantos gênios, artistas, cientistas nós não estamos perdendo medicando e rotulando essas crianças? 
7.Quais as suas dicas para criarmos “crianças como crianças”?
Acolher as crianças nas suas emoções. Especialmente as crianças pequenas têm uma racionalidade limitada e uma emocionalidade muito grande. Se ela está com raiva, você pode dizer pra ela “você está com muita raiva”. E mostrar de forma teatral o que está acontecendo com ela, fazê-la entender o sentimento que ela está tendo e dar permissão para ela sentir essas emoções, tanto negativas quanto positivas. Acolher também os desejos: “você quer esse brinquedo, eu sei que você quer muito ele, eu te entendo, mas a mamãe não pode comprar ele agora”. Isso quebra um pouco esse mecanismo da birra. Ter convivência com os nossos filhos, oferecer a eles oportunidades de conversa, de refeições em família, de sair na rua juntos, brincar nos parques, subir no trepa-trepa, ralar o joelho no chão, cair do skate (com capacete!), subir numa árvore, levar um zero, aprender com a frustração. Tudo isso é importante para formar uma criança mais feliz e um adulto mais íntegro, preparado para conviver com o outro. Pra saber respeitar o outro a primeira coisa que a criança tem que entender é que ela não é o centro do mundo. Ela é um membro da família e ter relações igualitárias com os outros membros da família vai fazê-la entender que ela vive numa sociedade. Esse é o nosso papel como pais

Fonte: Tudo sobre minha mãe

segunda-feira, 7 de março de 2016

POR UMA EDUCAÇÃO MAIS SAUDÁVEL E MENOS "FITNESS"




 Não, isso não é natural das crianças.
 Elas não nascem querendo ser "fitness".
 Isso é cultural. Estamos ensinando às nossas crianças que existe  uma "imagem ideal" e que devemos  ter hábitos saudáveis por finalidade estética.
Não estamos educando ao ensiná-las isso e tampouco podemos achar engraçadinho, reforçando  ainda mais esse comportamento.
Não, uma criança não é um adulto em miniatura.
Uma criança deve SIM fazer exercícios físicos e ter uma boa alimentação, mas por saúde. Porque é divertido, prazeroso e gostoso.
Não como uma obrigação para ficar "magrinha" e recriminar as "gordinhas" como ruim. 

 
 " - Vamos caminhar porque faz bem para o pulmão, o coração e os ossos.
- Vamos caminhar para admirar a paisagem e descansar a mente.
- Vamos caminhar porque o corpo ativo funciona melhor e é muito mais saudável.
- Vamos caminhar porque é uma forma de viver benefícios de estar ao ar livre.
- Vamos caminhar porque favorece a concentração, melhora a capacidade de aprendizagem e estimula a imaginação.
- Vamos caminhar em família porque fortalece os laços afetivos.
POR ISSO vamos caminhar."


"Metade das meninas têm problemas em aceitar sua imagem corporal"
(Centre for Appearance Research and Central YMCA 2011)
"Metade das meninas pequenas têm medo de engordar e apresentam comportamentos de restrição ou compulsão alimentar."
(Edlund, Halvarsson, and Sjoden, 1996)

"Meninas de 5 anos de idade se preocupam com sua aparência, tamanho e peso."
(Lohmann et al, British Journal of Developmental Psychology, 2005)
"Uma em cada quatro meninas de 7 anos já tentou fazer dieta pelo menos uma vez."
(Westerberg-Jacobson et al, European Eating Disorders Review 2011)
"Um terço das crianças entre 8 e 12 anos afirmam que querem fazer dieta para emagrecer."
(McCabe, Ricciardelli 2005)
Estatísticas oriundas da pesquisa de commonsensemedia body image survey:
"80% das meninas americanas com menos de 10 anos já fizeram dieta"
"1,3 milhões de adolescentes nos EUA sofrem de anorexia nervosa"
"Aos seis anos, crianças já sabem o que significa 'dieta' e começam a tentar comer menos."
"59% das meninas de 6 anos alegam que gostariam de ser 'mais magras'"
"Crianças pequenas têm mais medo de engordar do que: guerra nuclear, câncer ou perder os pais."
.................................................
 Fonte: https://www.facebook.com/Naosouexposicao/videos/965026183572777/

sexta-feira, 4 de março de 2016

O tenebroso mundo das novas festas infantis

O fim de semana chegando e junto com ele as festas de aniversário infantis! Mas será que todas elas realmente estarão comemorando a vida do aniversariante? Ou será que serão apenas um momento para celebrar o consumo, o exagero? Um momento de exposição da condição financeira da família, de manter contatos diplomáticos com outros pais? Quantas dessas festas realmente visam a celebração alegre das crianças com suas famílias e amigos, com coisas que elas realmente gostam e contatos verdadeiros com as pessoas? Laís Fontenelle escreveu suas reflexões acerca dessas festas para o site Outras palavras. São questões importantes de serem pensadas que não devem ser tratadas de forma naturalizada. A nossa reflexão já é um passo importante para o resgate do verdadeiro sentido dos aniversários de nossas crianças.



Bolo, balão, brigadeiro, amigos, familiares e parabéns. Onde encontramos todas essas coisas? Em festas de aniversário, especialmente nas de crianças, é claro! Infelizmente essa afirmação já não é tão óbvia assim nos dias atuais, quando as festas, nas classes médias e elites, ganharam espaços e formatos bem singulares – na maioria das vezes inadequados para os pequenos e massificados pelo mercado.
Sem tempo de preparar as festas dos filhos com a devida atenção os pais, hoje, acabam recorrendo a um mercado extremamente rentável de festas infantis customizadas que fazem tudo sob medida para o aniversariante. Os preços começam de aproximadamente R$ 2,5 mil e chegam até a espantosa soma de R$15 mil, segundo reportagem do ano passado.
Comecei a refletir sobre esse fenômeno no final dos anos 90, por ocasião do boom das festas em bufês. Nelas, a única coisa que remete ao aniversariante e à infância é, muitas vezes, o convite com a assinatura da própria criança. Ao chegar, você se depara com um baú onde deve “depositar o presente ao homenageado” – é esse o verbo usado pela recepcionista que fica na entrada. Depositar o presente, sem se esquecer de anotar seu nome no embrulho, para a criança saber, quando chegar em casa e abrir seu baú cheio de presentes, muitos repetidos, quem foi o “ coleguinha remetente”. Aquela delícia de dar o presente, escolhido a dedo ou feito com as próprias mãos; e de receber, desembrulhar e agradecer parece estar fora de moda.
A festa se desenrola, na maioria das vezes, em horário e com músicas, comidinhas ou brincadeiras nada adequadas à faixa etária convidada. No decorrer da comemoração, o pequeno aniversariante é estimulado, incansavelmente, por animadores que a todo momento nos fazem lembrar que hoje é o seu dia – e não do personagem famoso, geralmente licenciado, estampado nos quatro cantos do salão tentando roubar a cena das crianças.
A decoração em geral não foge ao padrão princesas para as meninas e super heróis para os meninos – como dita Walt Disney. Enquanto isso os pais, aqueles que conseguiram acompanhar seus filhos, ficam geralmente tomando uma bebidinha e jogando conversa fora, num merecido momento de descontração. Mas quem acompanha as crianças nas festas são, muitas vezes, as ditas folguistas – as babás de fim de semana –, que formam um séquito de branco de olhos atentos nos pequenos
No fim da festa, a criança geralmente volta para casa exausta com tantos estímulos sonoros, visuais e gustativos, e um saco cheio de presentes, com uma ressalva para as famílias que pedem doações para crianças carentes no lugar de presentes ao homenageado. Ainda assim, somos levados a questionar o que foi celebrado ali: as conquistas de mais um ano de vida entre amigos e familiares – ou o consumo?
É claro que os bufês infantis foram se modernizando e ganharam novos conceitos que acompanham as tendências das classes mais favorecidas, tais como alimentação mais light, sucos verdes, brigadeiros gourmet, brinquedos mais orgânicos, brindes inovadores e decoração ligada à natureza. Contudo, a essência consumista não mudou em nada e segue impregnada nesse rentável modelo de negócios.
Festas das elites
Mas isso não é tudo. O ano de 2011 marcou o início das festas sobre rodas. Meninas entre 6 e 11 anos, das elites de grandes centros urbanos, começaram a cobiçar festas que acontecem dentro de limusines locadas, geralmente cor de rosa. As mães das pequenas “noivas” alugam esses veículos pelo valor aproximado de dois mil reais para festejar mais um ano da vida de seus filhas, confinadas no trânsito de grande metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo – ao som ensurdecedor de celebridades mirins e ao sabor de doces e refrigerantes.
A festa pode esgotar-se ali mesmo – sem espaço para troca ou movimento –, mas muitas vezes prolonga-se com uma ida a um cabeleireiro ou spa infantil, onde as convidadas podem pintar as unhas, maquiar-se ou exibir penteados arrojados. Exercitam assim o consumismo, valores materialistas e a sexualidade precoce.
E os meninos, peças fundamentais no exercício da brincadeira, e amigos queridos da aniversariante? Ficam de fora, como manda o figurino e o sexismo – desde a mais tenra idade. O sucesso dessas festas foi tão grande que a moda se reinventou e hoje atinge o público adolescente e o adulto com as famosas Festbus, que acontecem dentro de ônibus – transformados num grande salão de festas com pista de dança itinerante.
Já no ano passado o maior hit das festas infantis foram as chamadasfestas do pijama, antes reconhecidamente caseiras – quando um grupo seleto de amigos passava a noite na casa do aniversariante. Hoje, mercantilizadas e abocanhadas pelo mercado infantil, têm decoração personalizada, com brindes que podem ir de pijamas e cobertores até tendas ou sacos de dormir, feitos sob medida para os convidados. Estes, depois de passarem horas navegando individualmente em seustablets, adormecem na casa do amigo e levam os “mimos” para casa.
O velho colchão de dobrar, guardado embaixo da cama ou em cima do armário da casa da vovó saiu de moda, assim como também ligar para mãe que está recebendo os amigos para saber como estão as crianças ou simplesmente agradecer o pernoite. A comunicação entre pais fica restrita a seus filhos via whatsapp, denunciando a perda do sentido de coletividade e comunidade. E quem entretém as crianças são geralmente animadores contratados, com atividades tipo guerra de travesseiro.
Em pouco tempo, este tipo de festa tornou-se a principal escolha de meninas entre 6 e 11 anos – como previu uma empresa carioca pioneira em festas para crianças que criou, inclusive, uma cartela de opções para o que chama de minisleep. Ideias para lá de “criativas” compõem o cardápio da empresa: festas de culinária, festas em sítios, focadas em futebol e onde mais sua imaginação e recursos financeiros puderem alcançar. Outra empresa focada nesse mercado inventa o que seu desejo mandar para a festa dos seus filhos, sem que você precise sequer sair de casa e desde, claro, que possa pagar por isso.
Vale dizer que até o singelo bolinho na escola ganhou novos contornos, estimulados pela própria instituição de ensino – que deveria ter o papel de fomentar outros valores e formas de homenagear o aniversariante. Hoje, o famoso “parabéns” em sala de aula pode ser acompanhado por uma roda de presentes, enviados pelas famílias para o “dono do dia”, que sai da escola com um saco de 15 presentes ou mais, sendo que, muitas vezes, nenhum tem a autoria do amigo. Presente feito coletivamente na escola, cantoria de músicas ou algo que o valha parecem valores esquecidos, numa sociedade que mercantilizou as datas comemorativas e tem ensinado às crianças que, para ser, é preciso ter.
Mudaram, portanto, os valores, e não apenas os locais das festas. O que é transmitido para as crianças quando seu aniversário é festejado dentro de salões de beleza ou limusines? O que elas vão querer na festa de quinze anos ou no dia do casamento? O que pensar de famílias que se endividam o ano inteiro para isso e que, quando a festa acaba, já querem saber da criança o que ela pretende ter na festa do ano que vem?”.
Cabe aos pais essa reflexão, numa tentativa de reinventar, criativamente, a comemoração do aniversário de seus filhos, de uma forma mais sustentável e que valha a pena rememorar no futuro. E, claro, às escolas cabe a reflexão sobre o lugar social que ocupam na vida dessas famílias – lugar que deveria ser de formação para cidadania e não de bufê infantil.
Mas, nem tudo está perdido. A tendência contrária são as comemorações ao ar livre, em parques, com a criançada correndo solta atrás da bola, entre as árvores. Foi reconfortante receber um convite da festa de aniversário do filho de amigos, feito pela própria criança. A comemoração foi no Jardim Botânico do Rio. Lá, tive a chance de entregar o presente na mão da criança e lanchar delícias feitas pelas tias e avós. Tudo muito original, com o lugar decorado por um grande mural de fotos dos momentos vividos no último ano pelo aniversariante e seus amigos, que ali estavam. No fim, o “dono do dia” carregava um saco não tão grande de presentes, mas um enorme sorriso no rosto. Ele pode partilhar, com pessoas importantes na sua vida, conquistas e atividades que ficarão na memória. E o brinde foi um cd, gravado pelo seu pai e ilustrado pelo irmão mais velho, com suas músicas preferidas. Isso, sim, merece ser festejado!

quarta-feira, 2 de março de 2016

A Estória da Felicidade

Sim, Armandinho!
O “felizes para sempre” ou “felizes em todo tempo” não podem ser uma regra ou meta a se cumprir. Mesmo porque isto é realmente impossível! Não haveria felicidades, sem os ricos aprendizados dos dias tristes.

Ainda assim, que nossas crianças não percam a esperança nos finais felizes. Que elas possam sonhar, acreditar, fantasiar e viver! Mas que saibam, o quanto antes, que a felicidade não é uma obrigação, mas uma grata surpresa da consequência da vida que levamos... Não a experimentamos sempre para não perder a graça e nem para acharmos que isto vem de graça. A felicidade vem ora sim ora não, ela é uma construção. E é isto deixa as coisas infinitamente melhores!


Portanto, “viveram felizes por mais um dia e seguiram com esforço na construção do para sempre!”
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial